O Brasil está se tornando um destino cada vez mais atraente para startups de logística que buscam mercados emergentes com alto potencial de crescimento. Dados da Associação Brasileira de Startups (Abstartups) mostram que o setor recebeu US$ 1,2 bilhão em investimentos estrangeiros nos últimos 12 meses.
O interesse dos investidores internacionais é explicado por uma combinação de fatores: um mercado consumidor de 215 milhões de pessoas, uma economia em recuperação, e um setor logístico que ainda apresenta grandes ineficiências — e portanto, grandes oportunidades de disrupção.
"O Brasil é um dos mercados mais complexos do mundo para logística, mas exatamente por isso é um dos mais interessantes", diz Rodrigo Mendes, sócio de um fundo de venture capital com sede em São Paulo. "Quem resolver os problemas logísticos brasileiros terá um modelo replicável para outros mercados emergentes."
Entre as startups que mais atraíram capital estão empresas de last-mile delivery, plataformas de gestão de fretes e soluções de rastreamento e visibilidade de carga. Algumas delas já estão expandindo para outros países da América Latina.
A Loggi, uma das pioneiras do setor, anunciou recentemente uma rodada de US$ 150 milhões liderada por fundos americanos e asiáticos. A empresa, que opera em mais de 1.000 municípios brasileiros, planeja usar os recursos para expandir sua rede de distribuição e desenvolver novas tecnologias de roteirização.
O crescimento do e-commerce durante e após a pandemia foi um catalisador importante para o setor. O volume de compras online no Brasil cresceu 70% entre 2020 e 2025, criando uma demanda por soluções logísticas mais eficientes e acessíveis.